quinta-feira, 11 de março de 2010

11 de Março de 1975



No 11 de Março de 1975 por volta das 11h45 o Regimento de Artilharia 1 (RAL 1) é atacado por aviões e cercado por forças do Regimento de Pára-Quedistas de Tancos. É a derradeira aventura de Spínola na tentativa de conquistar e derrotar a coordenadora do MFA. O golpe do 11 Março é derrotado, muito devido a acção do Comandante do RAL 1, Diniz de Almeida, e de populares que vão para a rua, bem como pelo facto de ser um golpe “estranhamente” defeituoso. Além da sua derrota é de salientar duas mortes que resultam do golpe.

O 11 de Março é o culminar da correlação de forças entre o sector Spinolista e a coordenadora/programa do MFA. O fracasso do golpe Palmo Carlos de 1974, a «matança da Páscoa» e o fracasso da «maioria silenciosa» faz com que Spínola se demita de Presidente da República. Contudo, as eleições para o Conselho de Armas do exército de indivíduos ligados ao sector de Spínola, faz crer ao General que a correlação de forças, finalmente, tinha mudado para o seu lado, lançando então o golpe do 11 de Março.

O derrotado General Spínola foge de imediato de helicóptero para Espanha. Dirá mais tarde que foi traído, pois durante o golpe muitos dos que comprometeram-se em participar no golpe abandonaram-no à última hora. Uma polémica ainda em aberto na história recente. Seja como for, o golpe que ficou reduzido a um ataque ao RAL 1 em Lisboa fracassa redondamente. Um dos militares mais prestigiado do país e no sector militar, abandona o país derrotado militarmente e politicamente. A condenação do golpe é vasta, desde da extrema-esquerda, ao PCP, passando pelo PS e PSD. Erguem-se barricadas por parte de populares e das massas trabalhadoras, são assaltadas as sedes de partido de direita e até a própria casa de Spínola em Massamá.

Ainda no 11 de Março é realizado uma Assembleia do Movimento das Forças Armadas (MFA) na Calçada das Necessidades em Lisboa, que ficaria conhecido por «Assembleia selvagem», ficando esquecido que se alguma coisa fora «selvagem» nesse dia foi o golpe promovido por Spínola. Nesta Assembleia o país entra numa fase, decisivamente, de esquerda: com a decisão de punir militares e civis ligados ao sector reaccionário e burguês que tinham apoiado o golpe (como Champalimaud, Espírito Santos e até Jorge de Mello da CUF); a nacionalização da banca e dos seguros; e o avanço definitivo da reforma agrária. É a institucionalização do MFA, é dissolvido o Conselho de Estado e criado o Conselho da Revolução e ainda fica consagrada a Assembleia do MFA. A lei 5/75 que institucionaliza a Assembleia do MFA permite que esta tenha poderes fiscalizadores e seja um órgão conselheiro do Conselho da Revolução. Por outro lado, o Conselho da Revolução fica com poderes constitucionais, fiscalizadores e de controlo da acção e actividade legislativa do Governo, o poder de vigiar o cumprimento do programa do MFA e das leis constitucionais, poderes de conselho do presidente da República e amplos poderes de ordem militar.

Se é verdade que o golpe do 11 de Março foi uma resposta aos perigos que o projecto da coordenadora do MFA e suas afinidades com partidos políticos de esquerda representava, ele foi, somente, a força matriz que tornou esse projecto em realidade. Mário Soares, dirigente do Partido Socialista, demonstrava a nova realidade esquerdizante de que era necessário não ser excluido dela, afirmando: «Um dia histórico, em que o capitalismo se afundou».

Dias mais tarde o Conselho de Revolução toma posse, assim como Francisco Costa Gomes assume o cargo de Presidente da República em simultâneo com a chefia do Estado e das Forças Armadas. O MFA tornava-se no «Motor da Revolução portuguesa» que pretendia rumar ao socialismo. O 11 de Março é o inicio do chamado Processo Revolucionário Em Curso (PREC), que vigora durante 37 semanas até ao golpe do 25 de Novembro de 1975. Marca também o fim da batalha entre MFA e Spínola, bem como pode ser encarado como o fim da unidade dentro do própria MFA e da sua coordenadora. O futuro passava pela correlação de forças entre as várias sensibilidades dentro do MFA.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia da Mulher

O dia Internacional da Mulher emerge numa conjuntura histórica em que o movimento operário está bastante amadurecido e os partidos socialistas desfrutavam de um enorme prestígio. No dia 26 de Agosto de 1910 a comunista alemã, Clara Zetkin, diante da 2ª Conferência Internacional de Mulheres propõe a criação de um dia que exaltasse, no panorama internacional, à emancipação das mulheres e a luta pelo sufrágio universal. Ficava então estabelecido a necessidade de defender «o sufrágio universal, atribuído a todas as maiores de idade e que não dependa da propriedade, nem do imposto, nem do grau de cultura, nem de outras condições que excluam os membros da classe operária do gozo deste direito»*.

O emblemático mês de Março seria o escolhido. No dia 19 de Março de 1911 é comemorado o primeiro dia Internacional da Mulher. Contudo, a 23 de Fevereiro de 1917 (8 de Março no calendário juliano) uma enorme greve realizada em S. Petersburgo pelas operárias russas, que reivindicavam pão, melhores ordenados, diminuição do horário laboral e, sobretudo, o regresso dos maridos da Guerra, ficava imortalizada a data do dia Internacional da Mulher.

Em 1975 o dia 8 de Março é institucionalizado pela própria ONU, porém, «acabou por dissipar a matriz original, operária e revolucionária, o seu simbolismo terá de ser resgatado dos cerimoniais fúteis e da retórica vazia em que se tornaram actualmente as comemorações oficias»*.

Neste dia em que se comemora o centenário do dia Internacional da Mulher é de salientar a oficialização de que é uma menina!!! =) A futura sobrinha será talvez uma Alice, ou até uma Clara Zetkin, de qualquer modo, será com certeza uma maravilhosa mulher.

«Pela relação entre o homem e a mulher se pode avaliar todo o nível da civilização humana». Karl Marx

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Mágia








terça-feira, 27 de outubro de 2009

O fim do Serviço Militar Obrigatório

Ontem o convidado do Dia D, programa da SicNoticias, foi o conhecido sociólogo António Barreto. Foi um programa interessante, o qual devo confessar que não assisti com 100% de atenção, mas o que vi até gostei. Mas que fique registado uma lacuna, António Barreto afirmou que todos os partidos políticos e as suas jotas tinham contribuído (votado a favor) para o fim do Serviço Militar Obrigatório. Diga-se que o PCP em 1999 na Assembleia da República votou contra o fim do SMO, dando grande enfâse à questão da sustentabilidade das Forças Armadas: «Os desafios fundamentais para o modelo de Forças Armadas de profissionais e contratados são essencialmente quatro: primeiro, o sistema tem de garantir que consegue produzir o número de aderentes (profissionais e contratados) considerados necessários para as missões e sistema de forças em tempo de paz; segundo, o sistema deve conter os mecanismos necessários para o crescimento necessário das Forças Armadas para as situações de excepção, incluindo a guerra; terceiro, deve ficar garantida uma correcta compreensão por parte da população sobre os deveres gerais militares que sob ela impendem, no quadro do dever de defesa da Pátria; quarto, deve estar garantido que não se cria um fosso entre as Forças Armadas e o país». Diga-se, que também que os jovens da "Jota" do PCP no seu último Congresso (2006) defenderam a continuação do Serviço Militar Obrigatório, como «garantia da ligação da juventude à defesa e soberania nacionais», rejeitando assim o fim do SMO e a profissionalização das Forças Armadas.


O objectivo do fim do SMO foi o afastar dos jovens das Forças Armadas, porque sabem que umas FA constituídas pelo povo e pelos trabalhadores permitem o risco de criar uma maior consciência social dentro das Forças Armadas, e como afirmava Lénine: «Só o proletariado – devido ao seu papel económico na grande produção – é capaz de ser o chefe de todas as massas trabalhadoras e exploradas que a burguesia explora, oprime, e esmaga». Não esquecendo ainda Engels, que afirmava algo do tipo: «para a burguesia dominante, o desarmamento dos operários é um imperativo fundamental».

Então meus amigos, fizeram o 25 de Novembro para afastar as Forças Armadas da realidade do povo português, encerrando a cadeado os soldados nos quartéis para o Povo enfiar-se nos mesmos quartéis?! Mas isso faz lá algum sentido...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

E nunca mais o vi...




Ao ler uns textos na Internet confrontei-me com um pensamento, o qual deixo aqui na expectativa de algum responder...



Que é feito do Senhor, e o que tem feito?!

sábado, 24 de outubro de 2009

Don´t fuck with Da Hui






Don't fuck with Da Hui
Don't fuck with Da Hui
Don't fuck with Da Hui
Because Da Hui will fuck with you!

sábado, 10 de outubro de 2009

42 anos...

Em 09 de Outubro de 1967 morria na Bolívia Ernesto Guevara. Entraria para os anéis da história como Comandante "Che" Guevara, bem como um dos impulsionadores de revoluções ao estilo Cubano (A Teoria do Foco) por África e pela América Latina, umas com sucesso outras em total fracasso como foi o caso Boliviano, custando-lhe a sua vida. Todavia, estava feito o homem, o revolucionário, o mito e sobretudo a imagem comum que o mundo nos anos seguintes iria ter (e ainda o tem) do que é ser revolucinário...


«O revolucionário verdadeiro é guiado por grandes sentimentos de amor. É impossível pensar num revolucionário autêntico sem esta qualidade».

terça-feira, 15 de setembro de 2009

11 Setembro

Acabou de fazer 9 anos que sucedeu os ataques terroristas, pela primeira vez em solo americano durante a sua hegemonia mundial. O mundo, ou melhor, esta nossa geração dificilmente o esquecerá. As imagens transmitidas em directas por o mundo fora dos aviões a embaterem nas torres, das pessoas nas janelas a precipitarem-se para uma queda mortal e por fim o desmoronamento das torres são imagens que ficam na história.
Mas apesar de todo o sofrimento que aquela barbaridade causou naquele dia, é importante reter que aquela barbaridade foi o “motor de arranque” para outra barbaridade: o reforço do imperialismo americano. De imediato aos ataques do 11 de Setembro a administração Bush não precisou de dar justificações credíveis para os seus actos militares, o imperialismo americano tornou-se mais aguerrido e violento. Poucos se atreveriam a questionar a «legitimação da guerra contra o terrorismo», pois era, e ainda o é, vista como uma exigência do momento, uma exigência do século XXI.

Ocupou-se ainda em 2001 o Afeganistão, derrubando um governo extremista islâmico com a alegação que esse apoiava a Al-Quaeda e o seu mentor, Bin Ladem. De imediato a história foi branqueada, esquecendo-se que tal regime que apoiava e suportava a Al-Quaedade de Bin Ladem tinha sido já uma aliança consolidada desde dos inícios dos anos 80, através da guerra feroz contra um partido que ocupava o Poder no Afeganistão (aliado da URSS) e que estava implantar medidas progressistas e revolucionárias naquele complicado país, e promovida e apoia politicamente e militarmente pelos EUA.

O 11 de Setembro perdurará nos anéis da história. Mas de reter que os acontecimentos posteriores desse dia são de um carácter ideológico bastante grande, são demonstrativos que o imperialismo não está adormecido, e que graças ao 11 de Setembro, abriu-se espaço que permitiu, com facilidade, atacar dois ex aliados dos EUA: o Afeganistão e o Iraque, mas também se falou dos perigos que eram o Irão e a Coreia do Norte.

Todavia, fez também 36 anos do golpe fascista e violento que pós fim ao regime democrático e progressista de Salvador Allende, no Chile. Corria o ano de 1973, 11 de Setembro, quando o chefe supremo do exercito Chileno, com a autorização da CIA e dos EUA e seu apoio político e militar, efectua um golpe de Estado… O presidente Allende, resiste no palácio, acabando por suicidar-se. O Chile entrava num regime fascista violento, acabando com os progressos sociais, com a democracia, levando à morte e à prisão centenas de milhares de chilenos, favorecendo um sistema capitalista e a exploração do homem pelo homem, e o lucro das grandes empresas. Este golpe de Estado, foi transmitido em directo pela Rádio, o discurso patriota de Allende dito em directo pela rádio antes de se suicidar e ouvido por milhões de pessoas, também pendura na história, pois ele mesmo é mais uma prova a juntar ao longo processo-crime que o imperialismo tem já, aberto pelas massas, pela América Latina, pelos trabalhadores, oprimidos e principalmente os que foram vítimas dele, indirectamente ou directamente.